Atualmente, o Congresso Nacional brasileiro é amplamente dominado pela direita, com cerca de 386 deputados federais de direita contra apenas 127 de esquerda, além de um Senado ainda mais desequilibrado, onde 65 senadores se alinham à direita e apenas 16 à esquerda. Esse retrato revela que o poder legislativo do país não reflete a diversidade social brasileira, mas sim a força de interesses conservadores que controlam a agenda política nacional.
Com esse cenário, as pautas aprovadas no Congresso tendem a atender prioritariamente legendas e grupos de direita, deixando em segundo plano políticas públicas voltadas à redução das desigualdades, à justiça social e ao fortalecimento do Estado como indutor do desenvolvimento. Trata-se de um modelo político ultrapassado, que mantém privilégios históricos e representa um atraso estrutural para o Brasil.
Mesmo com o retorno do presidente Lula ao Planalto, o governo enfrenta grandes dificuldades para aprovar projetos essenciais, justamente por conta da correlação de forças no Congresso. Propostas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o Gás do Povo reajuste real do salário mínimo e medidas de regulação econômica e social encontram forte resistência em um Parlamento que não dialoga com as necessidades da maioria da população.
Embora o discurso do governo Lula seja claramente alinhado à esquerda e à defesa do povo trabalhador, na prática muitas pautas acabam sendo moldadas para agradar o agronegócio e os grandes banqueiros, como forma de garantir governabilidade mínima. Essa distorção não é uma escolha ideológica do governo, mas uma imposição de um Congresso conservador, que trava avanços e esvazia propostas transformadoras.
O resultado é um país que avança menos do que poderia, mantendo altos níveis de desigualdade, serviços públicos pressionados e um modelo econômico concentrador de renda. Sem um Congresso comprometido com políticas populares, o Executivo fica limitado, negociando cada voto a alto custo político e social.
Por isso, a mudança real precisa começar pelo Legislativo. Não basta eleger um presidente progressista se deputados e senadores seguem alinhados aos interesses de poucos. É no Congresso que se aprovam leis, se definem orçamentos e se decide o futuro do país. Sem maioria de esquerda, não há transformação estrutural possível.
As eleições de 2026 representam uma oportunidade histórica para corrigir esse desequilíbrio. Votar em senadores e deputados de esquerda é fundamental para destravar projetos sociais, garantir justiça fiscal, fortalecer políticas públicas e construir um Brasil mais justo, moderno e soberano. O futuro do país passa, necessariamente, pela mudança do Congresso Nacional.
