Enquanto a Petrobras, empresa estatal brasileira, anunciou recentemente a redução de 5,2% no preço da gasolina, a população da Bahia segue sem qualquer alívio nos combustíveis produzidos pela Acelen, empresa privada que administra a Refinaria de Mataripe, localizada em São Francisco do Conde. A diferença de postura entre uma estatal e uma refinaria privatizada reacende o debate sobre soberania energética e o papel social das empresas estratégicas.
A Petrobras, mesmo sendo uma companhia de capital misto, mantém compromisso com políticas públicas que buscam equilibrar mercado e interesse social. A redução anunciada acompanha a queda do preço internacional do petróleo e demonstra que é possível alinhar gestão financeira com responsabilidade social, especialmente em um país onde o combustível impacta diretamente o custo de vida.
Em contrapartida, a Acelen, privatizada durante o governo Bolsonaro, até o momento não anunciou nenhuma redução nos preços da gasolina e do gás, dois de seus principais produtos. Essa postura reforça críticas feitas desde a venda da refinaria: uma empresa privada não tem obrigação de atuar em favor do interesse coletivo, mas sim de maximizar lucros para seus acionistas.
O resultado dessa lógica é sentido diretamente no bolso do povo baiano. Mesmo com condições favoráveis no mercado internacional, os preços permanecem elevados, pressionando o transporte, os alimentos e os serviços. A privatização, que foi vendida como solução para eficiência e redução de custos, não entregou os benefícios prometidos à população.
Especialistas apontam que, após a privatização, o foco da refinaria passou a ser estritamente financeiro, com decisões baseadas em rentabilidade e não em políticas de desenvolvimento regional ou estabilidade de preços. Isso evidencia a diferença estrutural entre uma empresa pública e uma privada em setores estratégicos como energia.
A situação também levanta questionamentos sobre o impacto da privatização na economia local de São Francisco do Conde e da Bahia como um todo. O controle privado limita a capacidade do Estado de usar a política de preços como instrumento de desenvolvimento e proteção social, especialmente em momentos de crise.
O contraste entre Petrobras e Acelen mostra, na prática, que a privatização de ativos estratégicos pode significar menos controle público, menos transparência e mais custos para a população. Em um país dependente de combustíveis para sua dinâmica econômica, o debate sobre o modelo de gestão das refinarias segue mais atual e necessário do que nunca.
