R$ 123 mil em estética revolta eleitores baianos

 


Estética com dinheiro público gera polêmica

A recente polêmica envolvendo o deputado federal José Rocha, do União Brasil da Bahia, reacende um debate sensível sobre o uso do dinheiro público e os limites éticos do mandato parlamentar. O pedido de reembolso no valor de R$ 123 mil por procedimentos de harmonização facial e limpeza dentária gerou forte repercussão e indignação entre eleitores.

Segundo o próprio argumento do parlamentar, os procedimentos estéticos teriam como finalidade “representar melhor” os eleitores baianos. A justificativa, no entanto, levanta questionamentos profundos sobre o que de fato significa representar o povo e quais prioridades devem nortear a atuação de um deputado federal.

A pergunta que ecoa entre a população é simples e direta: esse tipo de despesa atende a um interesse público ou a um interesse estritamente pessoal? Em um estado marcado por desigualdades sociais, filas na saúde e carências estruturais, o contraste é inevitável.

O caso ganha ainda mais relevância por se tratar de ano pré-eleitoral, em que a imagem pública dos políticos costuma ser trabalhada de forma intensa. José Rocha, que busca seu sétimo mandato, parece apostar mais na estética do que na apresentação de resultados concretos para o povo baiano.

Se essa prática se tornar comum, abre-se um precedente perigoso: parlamentares utilizando recursos públicos para custear procedimentos estéticos sob o pretexto de “melhorar a imagem institucional”. Isso distorce completamente a finalidade do mandato popular.

É importante lembrar que um deputado federal recebe atualmente cerca de R$ 40 mil mensais, valor suficiente para custear despesas pessoais sem recorrer aos cofres públicos. O ressarcimento de procedimentos estéticos, portanto, soa como abuso de prerrogativas.

A população espera que seus representantes trabalhem pelo bem-estar coletivo, investindo tempo, energia e articulação política em projetos que melhorem a vida dos baianos, e não em cuidados estéticos bancados pelo dinheiro do contribuinte.

O episódio também escancara a necessidade de maior transparência e critérios mais rigorosos sobre o que pode ou não ser ressarcido com recursos públicos. A falta de limites claros contribui para a banalização de práticas que ferem o princípio da moralidade administrativa.

 Em vez de harmonização facial, o povo da Bahia espera harmonia entre discurso e prática, entre salário elevado e compromisso social. Representar bem os eleitores não é questão de aparência, mas de trabalho sério, ética e resultados concretos para quem mais precisa.

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