Collor condenado e Bolsonaro preso expõem um momento inédito da história política nacional e desafiam o discurso da impunidade.
O Brasil vive um momento histórico de tensão política e institucional que provoca debates intensos sobre justiça, democracia e responsabilidade pública. Pela primeira vez, de forma clara e incontestável, um ex-presidente da República cumpre pena em regime domiciliar, enquanto outro ex-chefe do Executivo responde a múltiplas investigações e processos criminais que podem levá-lo à prisão.
Fernando Collor de Mello, ex-presidente da República, encontra-se em prisão domiciliar, fazendo uso de tornozeleira eletrônica, após condenação por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A decisão judicial simboliza o avanço do Estado brasileiro no enfrentamento à impunidade de figuras historicamente protegidas pelo poder político.
Collor representa um passado que muitos brasileiros acreditavam já superado: o uso do cargo máximo da nação para benefício pessoal e esquemas de corrupção estruturados. O cumprimento da pena, ainda que em regime domiciliar, tem forte valor simbólico e pedagógico para a sociedade.
Do outro lado desse cenário está Jair Bolsonaro, ex-presidente mais recente do país, aliado de setores da direita brasileira e alvo de investigações por organização criminosa, ataques às instituições democráticas, disseminação de desinformação e outros crimes graves.
Diferentemente de Collor, Bolsonaro se encontra preso até o momento na papudinha, mas enfrenta um cerco jurídico sem precedentes, com denúncias robustas, delações, quebras de sigilo e investigações que avançam em diversas frentes. O risco de responsabilização criminal é real e concreto.
Nunca antes na história republicana do Brasil dois ex-presidentes estiveram simultaneamente nessa condição: um condenado e cumprindo pena, outro sob forte ameaça de condenação penal maxima. Isso evidencia uma mudança estrutural na atuação das instituições de controle e do Poder Judiciário.
Ambos têm algo em comum: foram apoiados e sustentados politicamente por forças conservadoras e pela direita brasileira, que historicamente se apresenta como defensora da moral, da ordem e da família, mas que frequentemente fecha os olhos para crimes cometidos por seus próprios líderes.
A narrativa de que apenas governos de esquerda estariam associados à corrupção se mostra cada vez mais frágil diante dos fatos. A realidade demonstra que o problema não é ideológico, mas estrutural, ligado ao abuso de poder e à falta de compromisso ético com a coisa pública.
A prisão de Collor e as investigações contra Bolsonaro desmontam o discurso de perseguição política e reforçam a ideia de que ninguém está acima da lei. A democracia só se fortalece quando a Justiça alcança todos, independentemente do cargo que ocuparam.
É importante destacar que o devido processo legal deve ser respeitado. Investigar, denunciar e julgar com base em provas é essencial para evitar arbitrariedades. Justiça não é vingança, é responsabilidade institucional.
Para a sociedade brasileira, esse momento serve como alerta e reflexão. O eleitor precisa avaliar trajetórias, discursos e práticas, e não se deixar levar por slogans vazios, fake news ou líderes messiânicos.
O fortalecimento das instituições, como o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público, mostra que a democracia brasileira, apesar de atacada, resistiu e segue operante.
O Brasil começa a escrever uma nova página em sua história política, onde ex-presidentes podem, sim, ser responsabilizados por seus atos. Isso não é sinal de fraqueza, mas de maturidade democrática.
O Portal Nova Candeias entende que combater a impunidade é fundamental para construir um país mais justo. O futuro do Brasil depende de memória, verdade e justiça sem exceções, sem privilégios e sem medo de enfrentar o poder.
