A disputa eleitoral na Região Metropolitana de Salvador (RMS) e em toda a Bahia reflete de forma muito clara o embate nacionalizado entre dois projetos políticos distintos. De um lado, a força institucional da esquerda, impulsionada pelo alinhamento com o presidente Lula e o governador Jerônimo Rodrigues; do outro, as estruturas tradicionais de centro-direita ligadas ao grupo de ACM Neto, ao bolsonarismo e ao enfraquecido Progressistas (PP) de João Leão.
Abaixo, apresentamos uma análise simulada e detalhada de como Marivalda (PT) e o ex-prefeito Dr. Pitágoras (PP)
Projeção de Desempenho por Município da RMS
A tabela abaixo simula o potencial de votação de cada liderança em um cenário de candidatura a Deputado Estadual, considerando o histórico eleitoral recente das cidades, as estruturas locais e a força das respectivas máquinas partidárias:
| Município | Potencial de Marivalda (PT) | Potencial de Dr. Pitágoras (PP) | Fator Decisivo Local |
| Candeias | Altíssimo (Base histórica forte, obteve mais de 21 mil votos em 2024) | Altíssimo (Elegeu o sucessor Eriton Ramos com mais de 29 mil votos) | O "piso" de ambos está aqui; a cidade será dividida voto a voto. |
| São Francisco do Conde | Alto (Forte presença histórica do PT e apoio do governo estadual) | Médio (Depende de acordos com vereadores de oposição ao PT) | O peso do funcionalismo público e a força do alinhamento com Jerônimo. |
| Madre de Deus | Médio-Alto (Alinhamento ideológico com setores progressistas) | Médio (Estrutura de centro-direita dividida com outros nomes) | Cidade de forte apelo social, onde a marca do governo federal pesa bastante. |
| Simões Filho | Médio (Reduto tradicionalmente conservador, mas com votos de esquerda na RMS) | Médio-Alto (Facilidade de penetração em setores ligados à prefeitura local) | Influência do grupo do atual prefeito da cidade (União Brasil). |
| Dias d'Ávila | Alto (Sindicatos fortes do polo petroquímico dão sustentação ao PT) | Baixo-Médio (Dificuldade de penetração sem base orgânica forte) | Voto de opinião associado ao polo industrial e ao movimento operário. |
Os Cenários de Vitória: Onde Cada Um Tem Chance?
Para conquistar uma vaga na ALBA, os candidatos precisam expandir seus votos para além de Candeias. Veja onde residem as maiores oportunidades de cada um:
O Cenário de Sucesso para Marivalda (PT)
A força de Marivalda reside na interiorização e na capilaridade do PT baiano. Para se eleger, seu projeto depende de:
Unificação da Esquerda na RMS: Consolidar-se como a candidata oficial do bloco governista em Candeias, São Francisco do Conde e Madre de Deus.
Apoio da Máquina Estadual: Usar o palanque e as entregas de Jerônimo Rodrigues e o prestígio de Lula para atrair prefeitos e vereadores do PT de outros municípios do interior que buscam um nome forte da RMS para apoiar.
Campanha Identitária: Mobilizar movimentos sociais, sindicatos e minorias que se identificam com o projeto popular e democrático de esquerda.
O Cenário de Sucesso para Dr. Pitágoras (PP)
Mesmo com o PP perdendo prefeituras e prefeitos migrando para a base do governo Jerônimo, Pitágoras tenta se consolidar através da estrutura executiva:
Domínio da Máquina em Candeias: Utilizar a força da gestão de seu sucessor eleito, Eriton Ramos, para transformar a cidade em seu principal celeiro de votos.
Alianças Pragmáticas de Direita: Articular apoios com prefeitos do União Brasil (ligados a ACM Neto) em municípios vizinhos que não possuem candidatos a deputado estadual próprios.
Segmentos Conservadores: Capturar o voto antipetista e o eleitorado mais ligado à direita na RMS, utilizando pontes com o bolsonarismo regional para preencher esse vácuo.
Esquerda e Direita: Quem Tem Força e Projeto?
O cenário político baiano revela um profundo desgaste das antigas estruturas oligárquicas da direita, que historicamente comandavam o estado através do coronelismo e do clientelismo político. A decadência do Progressistas (PP) na Bahia, outrora gigante sob as asas de caciques tradicionais, é o sintoma mais claro de que a "velha política" perdeu fôlego no interior, onde as prefeituras e as lideranças locais preferem hoje o pragmatismo das obras e ações viabilizadas pelo governo estadual de esquerda.
A força da esquerda baiana, consolidada há quase duas décadas no poder estadual, sustenta-se em um projeto de inclusão social, descentralização da saúde e interiorização do desenvolvimento econômico. Sob a liderança de Lula e Jerônimo, o bloco governista apresenta à população propostas tangíveis de infraestrutura e serviços públicos, conectando diretamente a realidade do cidadão comum aos programas federais de distribuição de renda.
Por outro lado, a oposição de centro-direita se vê acuada, dependendo de redutos metropolitanos específicos e flertando com o bolsonarismo para inflamar o debate ideológico. No entanto, a falta de um projeto alternativo robusto e o isolamento político no interior mostram que o pragmatismo eleitoral baseado apenas no poder econômico local está encontrando limites diante de um eleitorado cada vez mais consciente e exigente por direitos, trabalho e cidadania.
