Dia do Professor em Candeias, comemorar o quê?
Artigo de Opinião - Portal Nova Candeias - Candeias Tem Notícias
Nesta quinta-feira, 15 de outubro, Dia dos Professores, as redes sociais da Prefeitura de Candeias se encherão de homenagens, cartões coloridos e frases feitas. Mas dentro das salas de aula, abafadas, sem estrutura e superlotadas, a pergunta que ecoa entre os profissionais é uma só: comemorar o quê?
A situação dos profissionais da educação no município de Candeias é o retrato mais cruel de uma prática desrespeitosa implantada e perpetuada pelo grupo político dos Pitagoras. O que se vê não é valorização, é arrocho. Não é cuidado, é abandono.
O arrocho salarial é a face mais visível dessa desvalorização. Enquanto o discurso oficial fala em "prioridade para a educação", o contracheque desmente. Um professor com carga horária de 40 horas em Candeias recebe em média R$ 3.997,00.
Esse valor está muito abaixo da média nacional, que hoje gira em torno de R$ 6.574,00 para a mesma carga horária. É quase R$ 2.600,00 a menos por mês. É a diferença entre sobreviver e viver com dignidade. É a prova de que o trabalho de quem ensina não é prioridade.
Há anos os professores de Candeias não veem um reajuste real. O que é concedido, quando é concedido, mal repõe a inflação. É um confisco silencioso, mês a mês, que corrói o poder de compra, que impede o planejamento familiar e que humilha quem dedicou a vida a formar cidadãos.
Como exigir qualificação, cursos, pós-graduação e inovação pedagógica de um profissional que precisa fazer bico, vender produtos ou dobrar turno para fechar as contas no final do mês? A desvalorização financeira é um projeto de desestímulo.
A outra ferida aberta, e talvez a mais revoltante, é a questão do precatório do FUNDEF. Um direito líquido e certo, assistido por lei federal, que a gestão municipal simplesmente decidiu não pagar.
Já são 10 anos de espera. Dez anos de promessas, de audiências adiadas, de notas técnicas e de silêncio. Dez anos de aniversário sem nenhuma expectativa real de receber o que é seu por direito. O dinheiro existe, a lei garante, mas a vontade política não aparece.
Esse não é apenas um calote financeiro. É um calote moral. São professores que se aposentaram esperando, que adoeceram esperando, que em alguns casos faleceram esperando por um recurso que ajudaria a garantir uma velhice digna.
O resultado de tudo isso não poderia ser diferente: professores adoecendo. O que mais ouvimos em nossas reportagens são relatos de crise de ansiedade, síndrome de burnout, depressão e esgotamento emocional. É o corpo e a mente gritando que não aguentam mais tanto desrespeito.
Um professor ansioso, desmotivado e financeiramente sufocado entra em sala de aula todos os dias e ainda assim precisa sorrir, acolher e ensinar os filhos de Candeias. É um ato de heroísmo diário que a gestão finge não ver.
A educação é a estrutura essencial de qualquer sociedade que pretende ter futuro. Sem ela, não há saúde, não há segurança, não há desenvolvimento. E o professor não é apenas um gasto na planilha da prefeitura, ele é a ferramenta mais importante dessa estrutura.
Uma ferramenta que deveria ser respeitada, afiada, cuidada e valorizada. Em Candeias, o que se faz é o oposto: usa-se até quebrar e depois descarta-se com uma homenagem no Instagram no dia 15 de outubro.
Não se constrói uma cidade forte humilhando quem ensina. Não se fala em futuro quando se destrói o presente de quem está formando esse futuro. A gestão que não respeita o professor, não respeita o seu próprio povo.
Por isso, hoje, mais do que flores e bombons, o professor de Candeias precisa de respeito. Precisa de salário digno, de pagamento do FUNDEF, de condições de trabalho e de apoio psicológico real. Precisa ser ouvido.
O Portal Candeias sempre esteve e sempre estará ao lado dos profissionais da educação. Nosso espaço continuará aberto para denúncias, relatos e para a luta por direitos. Não nos calaremos diante do arrocho.
Aos professores e professoras da nossa cidade, que mesmo com tudo isso não abandonaram seus alunos, deixamos nosso reconhecimento sincero. Vocês sustentam Candeias em pé.
E finalizamos com a certeza que nos move: "O futuro de Candeias se constrói hoje, dentro desta sala de aula, com a dedicação de cada um de vocês."
