Candeias o Arrocho Salarial

 


Em Candeias - Bahia, o que estamos vendo desde 1º de janeiro de 2026 é o retrato mais cruel do desrespeito à DIGNIDADE a pessoa humana. Enquanto o salário do Prefeito foi para R$ 20.042,34, do Vice para R$ 12.168,24, dos Secretários para R$ 12.065,68 e dos Vereadores para R$ 12.495,27, o servidor estatutário que carrega a máquina nas costas continua com a base de R$ 1.640,00 congelada desde 2019. Isso não é gestão, é política de arrocho.

Como se pode falar em dignidade humana quando o pai e a mãe de família que varrem a rua, que atendem no posto, que educam na sala de aula, precisam sobreviver com R$ 1.640,00 enquanto o topo da pirâmide se reajusta em mais de 12 mil reais? É a institucionalização da fome dentro da Prefeitura.

O arrocho salarial implantado pelo ex. prefeito Pitágoras não é um erro de cálculo, é um projeto. Um projeto que escolhe quem merece viver com conforto e quem deve ser esmagado. E os escolhidos para serem esmagados são justamente os filhos dos servidores.

Que qualidade de vida pode ter uma criança cujo pai sai de casa às 5h da manhã para servir ao município e volta com um contracheque que não compra nem a cesta básica completa em Candeias? Isso é violência econômica contra a família.

É vergonhoso e oportunista. Vergonhoso porque o reajuste dos agentes políticos foi votado e garantido com rapidez, fechado no orçamento da legislatura sem discussão com a sociedade. Oportunista porque se usa o discurso de "responsabilidade fiscal" só quando é para negar o aumento do servidor.

O prefeito quer posar de bom moço nas redes sociais, nas inaugurações, nos palanques. Mas bom moço não deixa 7 anos sem reajuste real. Coração duro e egocêntrico é aquele que aumenta o próprio subsídio em 2026 e nega o pão na mesa do trabalhador.

Até quando Candeias vai aceitar que o salário base de quem trabalha 40 horas por semana valha menos de 8% do salário do prefeito? Essa proporção não é de uma gestão pública, é de uma casa-grande.

A família do servidor está adoecendo. É a mãe que não consegue pagar um plano de saúde, é o pai que faz bico de mototáxi depois do expediente, é o filho que abandona a faculdade porque o salário de 2019 não paga mais a passagem de 2026. Isso é desumanidade planejada.

Falam tanto em valorização do servidor, mas valorização sem salário é discurso vazio. É assédio moral institucional. É dizer todos os dias para o funcionário: seu trabalho não vale nada.

O pior é o silêncio cúmplice da Câmara. Vereadores que receberam R$ 12.495,27 a partir de janeiro de 2026 deveriam ser os primeiros a defender o povo, mas preferiram carimbar o próprio aumento e virar as costas para quem os elegeu.

Que exemplo Pitágoras quer dar ao querer ser deputado? Que projeto de lei ele tem para apresentar? Nenhum. O único projeto é pessoal, de poder e de salário alto. Quem não respeitou o servidor de Candeias não vai respeitar o povo da Bahia.

Não se constrói uma cidade forte esmagando quem carrega o serviço público nas costas. Professor desmotivado não ensina, agente de saúde humilhado não cuida, gari explorado não sustenta a limpeza. O arrocho salarial destrói a própria cidade.

Isso é desrespeito à Constituição. O princípio da dignidade da pessoa humana não é enfeite. Salário congelado por 7 anos com inflação comendo mais de 40% no período é redução salarial disfarçada, é confisco.

Até quando o servidor vai ter que ouvir que "não tem dinheiro" para ele, mas sempre tem dinheiro para o subsídio do prefeito, do vice e dos secretários? O cofre só fecha para o pobre.

A criança filha de servidor também quer comer carne, também quer material escolar novo, também quer um tênis digno. Negar reajuste é negar infância, é condenar uma geração inteira a pagar a conta do ego de um gestor.

Pitágoras implantou uma política de humilhação. Faz o servidor ir todo mês ao banco ver o mesmo valor de 2019, enquanto vê nos Diários Oficiais o aumento generoso dos políticos. Isso adoece a mente, gera depressão, ansiedade e revolta dentro das famílias.

Onde está a justiça social de um governo que pratica dois pesos e duas medidas tão escancarados? R$ 20 mil para um, R$ 1.640 para milhares. Isso não é gestão, é apartheid salarial.

Candeias não aguenta mais ser laboratório de vaidade. Queremos gestores que olhem para a merenda da casa do servidor com a mesma pressa que olham para o próprio contracheque.

O servidor não pede favor, pede direito. Reajuste anual é direito constitucional. Negar por 7 anos é ilegalidade, é imoralidade e é desrespeito à família trabalhadora que sustenta esta cidade com seu suor.

Até quando vamos aceitar que o discurso de "boa gestão" seja feito em cima da miséria do pai e da mãe de família? Uma cidade que não cuida de quem cuida dela está fadada ao fracasso.

O recado que fica para cada servidor é claro: para este governo, você e sua família são invisíveis. Mas invisível não é quem trabalha, invisível é a empatia de quem governa apenas para si.

Candeias precisa dar um basta. O fim do arrocho salarial de Pitágoras não é apenas uma pauta econômica, é uma pauta humana. É devolver a dignidade, a esperança e o direito de sonhar para cada filho de servidor que hoje só conhece o peso da conta que não fecha.

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