DIA DO SERVIDOR PÚBLICO EM CANDEIAS: COMEMORAR O QUÊ?
Neste 28 de outubro, Dia do Servidor Público, Candeias não tem motivos para comemoração. O que deveria ser uma data de reconhecimento e valorização se transformou em um retrato deprimente e preocupante da realidade enfrentada por quem carrega a máquina pública nas costas.
O cenário atual é de perda total do poder de compra. O servidor efetivo estatutário não consegue mais, com o resultado do seu esforço diário, garantir dignidade para sua própria família. O salário não acompanha a inflação, o mercado e a vida real.
Essa não é uma ferida de hoje. O município de Candeias sofre com essa defasagem salarial há uma década, sem aumento real. São dez anos de arrocho, de promessas vazias e de desvalorização sistemática do trabalho público.
Esse ciclo começou a se aprofundar ainda na gestão do ex-prefeito Pitágoras, o falso progressista que se revelou apenas um personagem. De lá para cá, o servidor nunca mais recuperou seu poder de compra.
A dinâmica da atual gestão, liderada pelo prefeito Eriton Ramos, segue a mesma lógica. Uma gestão comparável ao bolsonarismo em sua prática: sem regalias para a massa, com concentração de privilégios no topo e desprezo por quem está na base.
A atual legislatura da Câmara de Vereadores de Candeias tem sido omissa e conivente com o Executivo. Não há mínima demonstração de responsabilidade em cobrar e aprovar o reajuste justo para os servidores efetivos.
Enquanto isso, o contraste é revoltante. Os salários do prefeito, dos vereadores e de toda a cúpula foram reajustados e garantidos já a partir de 1º de janeiro de 2026. Para eles, o aumento foi prioridade. Para o servidor da ponta, o esquecimento.
Como falar em comemoração quando o valor que resta ao servidor é de apenas R$ 1.640,00? É com esse valor que um pai e uma mãe de família precisam sustentar a casa, pagar contas, comprar alimentos e ainda manter a dignidade.
Candeias ostenta hoje um dos piores salários-base da Bahia. Sem plano de saúde, sem assistência odontológica, sem cesta básica, sem benefícios que são comuns em outros municípios. É a precarização institucionalizada.
Além da falta de reajuste em 2025 e 2026, há direitos reconhecidos judicialmente que até hoje aguardam pagamento. Mesmo quando a Justiça reconhece, a Prefeitura não cumpre. O servidor precisa lutar duas vezes para ter o que já é seu por direito.
A antecipação da primeira parcela do 13º e o feriadão transferido para o dia 30 de outubro, anunciados agora, não apagam a realidade. São medidas pontuais que tentam criar uma cortina de fumaça sobre a ausência de uma política real de valorização.
Onde está a dignidade humana de quem dedicou anos de sua vida ao serviço público? O respeito não pode estar apenas no discurso bonito do dia 28. Dignidade se mostra no contracheque, no cumprimento da lei e na valorização concreta.
Por isso, a cobrança é direta: Prefeito Eriton Ramos, o senhor consegue olhar nos olhos desses servidores e compreender a realidade humana de quem trabalha, sustenta uma família e espera por valorização? Governar não é apenas administrar receitas e despesas.
Servidor público não é peça descartável de uma administração que entra e sai a cada quatro anos. É trabalhador, é pai, é mãe, é filho, é cidadão candeense que mora, vive e sofre com a cidade.
Governar exige sensibilidade diante das dificuldades e responsabilidade no cumprimento dos direitos adquiridos. Não se trata de negar a humanidade de ninguém, mas de cobrar humanidade nas decisões.
A falta de transparência e de uma mesa real de negociação com o sindicato aprofunda a sensação de abandono. O servidor se sente desrespeitado, invisível e tratado como um custo, e não como um investimento para a cidade.
Valorização salarial não é favor, não é presente de prefeito em ano eleitoral. É obrigação legal, é reposição inflacionária, é direito. Antes de falar em Candeias 70+, é preciso resolver o Candeias de hoje, com seus servidores empobrecidos.
Em Candeias, antes de qualquer discurso, homenagem ou nota oficial nas redes sociais da Prefeitura, o que os servidores merecem é respeito, transparência, reajuste digno e soluções concretas e imediatas.
Porque dignidade humana não é favor de prefeito, não é marketing e não é discurso. É um princípio constitucional que precisa se transformar em realidade. Então, fica a pergunta que ecoa em cada repartição, escola e posto de saúde: Dia do Servidor Público em Candeias, comemorar o quê?
Servidor público não é favor político: é trabalhador e cidadão!”
