Candeias vive hoje a mais cruel contradição da sua história política. Uma cidade que arrecada 57 milhões por mês, que se orgulha do seu polo industrial, mas que vira as costas para quem realmente faz a máquina pública funcionar: o servidor efetivo estatutário. A atual gestão, herdeira direta do grupo de Pitágoras, se recusa a conceder o reajuste retroativo de 2025/2026, deixando uma perda histórica no poder de compra do trabalhador.
É uma atitude desumana e calculada. Enquanto o salário do servidor efetivo definha, com inflação corroendo o carrinho de feira, o aluguel e o remédio, o prefeito Eriton Ramos, logo no início do ano, tratou de reajustar o próprio salário e o dos vereadores aliados. Para eles, aumento imediato. Para o povo da prefeitura, o silêncio e a desculpa de sempre.
Essa é a cara mais nítida da ideologia da direita candeense que governa há 40 anos: desvalorizar o servidor público, precarizar o serviço e concentrar renda no topo. Uma gestão milionária que trata o efetivo como gasto e o privilégio político como investimento. É o projeto de poder que só governa para os seus.
E para completar o escárnio, a prefeitura ainda encontra dinheiro para pagar rescisão milionária ao ex-prefeito Pitágoras, hoje candidato a deputado estadual. O dinheiro que falta para o reajuste do professor, do agente de saúde, do guarda municipal, sobra para garantir o futuro político do padrinho do grupo.
A que ponto chegamos? Usar o poder municipal, que deveria ser instrumento de justiça social, para favorecimento pessoal e político, enquanto a maioria que sustenta a cidade é descaradamente excluída. É desrespeito à pessoa humana, é quebra do princípio da dignidade, é vergonhoso para uma cidade tão rica.
Até quando o prefeito vai se esconder atrás de notas técnicas e de uma Câmara submissa que aprova 100 milhões de empréstimo sem questionar, mas não tem coragem de aprovar o reajuste de quem trabalha? O servidor não quer favor, quer direito. Quer o que é seu por lei, o retroativo que repõe o que a inflação roubou.
Candeias precisa dizer basta. Chega de uma gestão que aumenta o próprio contracheque e congela o do trabalhador. Dar aumento salarial não é gasto, é investimento em saúde, em educação e em respeito. E esconder-se do debate é o gesto mais covarde de um governo que já perdeu a legitimidade moral de governar.
