O oportunismo político Candeense

 


Candeias precisa quebrar o círculo vicioso esses são pontos para entender por que a cidade não avança

Desde a sua fundação política moderna, Candeias carrega uma marca que poucas cidades da Bahia mantêm com tanta fidelidade: a hegemonia da direita. Do prefeito biônico indicado pelo regime militar, com a figura histórica de David Caldeira, quando o Palácio ainda funcionava no prédio da Rua da Igreja, até os dias atuais, o poder executivo e legislativo nunca escapou desse controle.

Enquanto o Brasil se redemocratizava em 1988, após a morte de Tancredo Neves e a posse de José Sarney, Candeias fazia sua primeira eleição democrática elegendo Eliodoro de Jesus, do PMDB de centro-direita. Era o início de um ciclo que se repetiria por décadas sem ruptura ideológica.

Em 1992, a cidade elegeu sua primeira mulher prefeita, Maria Maia, alinhada diretamente ao carlismo de Antônio Carlos Magalhães. O projeto carlista se consolidava no município como força dominante, ditando alianças, cargos e o modo de fazer política.

Em 1996, esse modelo se aprofunda com a eleição de Antônia Magalhães, que governaria até 2004. Foi ela quem fez sua sucessora, Amiga Ju, a terceira mulher a chegar ao Paço Municipal, também herdeira do mesmo grupo político de direita.

Amiga Ju entrou para a história como a primeira prefeita a perder o mandato por decisão do TRE-Bahia, num episódio que escancarou a fragilidade jurídica e a judicialização crônica da política candeense. Com a cassação, Maria Maia retorna ao poder.

Maria Maia consegue se reeleger, mas em pouco tempo perde novamente o mandato. Assume então o presidente da Câmara, o vereador Sargento Francisco, que se torna prefeito e depois se reelege, em meio a idas e vindas de liminares na Justiça que transformaram a prefeitura em um balcão de instabilidade.

Em 2016, surge Pitágoras Ibiapina, eleito e reeleito para dois mandatos consecutivos, conseguindo ainda fazer seu sucessor, Eriton Ramos. Fecha-se assim um ciclo de quase 40 anos de continuidade da direita no comando absoluto da cidade.

Durante todo esse período, a Câmara de Vereadores seguiu a mesma lógica. A esquerda, com raras e honrosas exceções como o saudoso Pedro Carlos, Jair Cardoso e Marivalda da Silva, nunca teve mais que três cadeiras. A direita sempre teve maioria para aprovar tudo que o Palácio queria.

E aqui mora a grande contradição de Candeias: apesar de ser governada localmente pela direita mais conservadora, o povo candeense, quando vota para presidente e governador, historicamente se alinha à esquerda brasileira. A cidade é progressista no voto nacional e conservadora refém no voto local.

O resultado desse aprisionamento político é visível. Candeias é uma das cidades que mais arrecada na Bahia, com receita mensal que chega a 57 milhões de reais, oriunda do polo industrial, royalties e tributos. É uma cidade rica com povo pobre.

Mesmo com arrecadação de cidade grande, a gestão de direita optou pelo endividamento. O governo de Pitágoras contraiu empréstimo de cerca de 62 milhões de reais. Agora, o governo de Eriton Ramos teve autorizado pela Câmara um novo empréstimo de 100 milhões de reais.

Pergunta que não quer calar: para que uma cidade com superávit de arrecadação precisa de mais de 160 milhões em empréstimos em menos de uma década? Onde está o planejamento? Onde está o retorno em desenvolvimento?

Os indicadores respondem. Candeias tem baixo IDH, um dos piores entre as cidades do mesmo porte financeiro. O funcionalismo público amarga um dos menores salários da Região Metropolitana, sem plano de carreira, sem valorização e sem reajuste digno.

Na saúde, faltam médicos, remédios e modernização. Na educação, escolas sucateadas, sem tecnologia e sem projeto pedagógico para o futuro. O dinheiro entra, mas não se transforma em qualidade de vida.

Não por acaso, a cidade se tornou sinônimo de escândalos de corrupção, operações e denúncias que mancham o nome do município e afugentam investimentos sérios que poderiam gerar emprego e renda.

O reflexo mais cruel é demográfico. Candeias vive hoje um processo histórico de evasão populacional. As famílias estão indo embora. Jovens não veem futuro aqui e buscam Salvador, Camaçari e outros centros. Uma cidade que expulsa seus filhos está condenada ao retrocesso.

Enquanto o Brasil apresenta índices de crescimento, redução da desigualdade e ampliação de programas sociais na última década, Candeias vai na contramão. Retrocede a cada ano, presa a um modelo de gestão patrimonialista, clientelista e oportunista.

Candeias precisa urgentemente quebrar esse círculo vicioso da direita local. Não se trata de trocar nomes, mas de trocar o modelo. Trocar o apadrinhamento pela competência, o empréstimo pelo planejamento, o abandono pelo cuidado com o povo.

O Portal Nova Candeias nasce para isso: dar voz a quem não tem voz, fiscalizar cada centavo dos 57 milhões mensais e dos 100 milhões de empréstimo, e provar que uma nova Candeias é possível, com gestão transparente, progressista e voltada para quem mais precisa.


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