O Embate Decisivo por Candeias: Entre o Oportunismo de Direita e os Investimentos da Esquerda
CANDEIAS — À medida que as candidaturas para deputados, senadores, governadores e presidente ganham homologação oficial, o cenário político na Bahia ganha contornos de alta tensão. No coração da Região Metropolitana de Salvador, a cidade de Candeias emerge como o grande palco desse confronto ideológico e pragmático. De um lado, a hegemonia histórica e o discurso de direita do grupo político liderado pelo ex-prefeito Pitágoras; do outro, a candidatura de Marivalda, alinhada à esquerda e ao projeto de desenvolvimento integrado do Estado e da União.
Historicamente governada pela direita sob a órbita do carlismo e da família Magalhães por mais de seis décadas, Candeias nunca experimentou uma gestão municipal alinhada aos preceitos da esquerda. Esse longo domínio conservador, no entanto, deixa um legado que exige reflexão profunda: a despeito do imenso potencial econômico e arrecadatório do município, a população convive com salários estagnados, baixos índices de desenvolvimento humano (IDH) e um preocupante fenômeno de evasão populacional.
A contradição torna-se evidente quando se analisa de onde vieram as verdadeiras transformações infraestruturais que a cidade presenciou nos últimos anos. Enquanto o grupo governista local reivindica a autoria do progresso, a memória dos fatos aponta para uma realidade muito diferente. A esmagadora maioria das grandes obras que mudaram a cara de Candeias é fruto direto de investimentos do Governo do Estado da Bahia, gerido pelo PT, em estreita parceria com a liderança local de Marivalda.
O mapa de intervenções estaduais e federais em Candeias é extenso e inquestionável, implantação da Biodiesel em em Candeias, gerando diversos empregos. Trata-se da contenção de encostas que salvaram vidas em áreas de risco, da ampliação e modernização da Escola Militar, da construção e reforma de praças públicas e da implantação de campos de futebol sintético para o lazer da juventude. Soma-se a isso a reforma estrutural do Estádio Municipal, o asfaltamento e melhoria do eixo viário e a instalação de modernos sistemas de monitoramento policial pela Secretaria de Segurança Pública.
Além do impacto estadual, a aliança com o Governo Federal voltou a render frutos diretos para a população candeense através do novo PAC e do programa Minha Casa, Minha Vida. Tais conquistas reafirmam que o suporte institucional trazido por Marivalda, Jerônimo Rodrigues, Rui Costa, Jaques Wagner e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o real motor de desenvolvimento que impediu o colapso infraestrutural do município nos últimos anos.
Em contrapartida, quando se lança um olhar crítico sobre a atuação da direita baiana e dos aliados de Pitágoras, o vácuo de realizações próprias salta aos olhos. Durante anos, o PP de João Leão ocupou a vice-governadoria do Estado com forte apoio do grupo político de Pitágoras. No entanto, ao vasculhar os registros de entregas e obras estruturantes indicadas exclusivamente por essa vertente para Candeias, o resultado é o vazio institucional.
A grande jogada política do grupo dos Pitágoras tem sido o aproveitamento oportuno das obras financiadas pelo Estado e pela União. Diante do povo de Candeias, a narrativa governista busca capitalizar o impacto visual das melhorias urbanas, mas omitindo cuidadosamente de onde vieram os recursos. Trata-se de uma estratégia que oculta a parceria decisiva com as gestões estaduais e federais do PT para vender a ilusão de uma autossuficiência municipal que nunca existiu.
A postura assume contornos de claro oportunismo político na medida em que o grupo local, após se beneficiar amplamente das entregas do Governo do Estado, rompe os laços institucionais e migra para a oposição radical. Hoje, o alinhamento de Pitágoras é explicitamente com a candidatura de ACM Neto ao governo e com a ala bolsonarista representada por João Roma ao Senado, figuras que historicamente defenderam o enxugamento de investimentos públicos no Nordeste.
A contradição é gritante: como defender para o futuro da Bahia um projeto político nacional e estadual que, quando esteve no poder central ou na oposição regional, pouco ou nada contribuiu para o orçamento direto de Candeias? A tentativa de desvincular as conquistas locais da imagem de Lula e Jerônimo representa uma manobra eleitoral que tenta ludibriar a memória recente do cidadão candeense.
O debate que se desenha para estas eleições não é fútil ou focado apenas em nomes; trata-se de uma escolha direta entre dois projetos antagônicos de sociedade. A direita tradicional, que geriu a cidade por seis décadas, entrega um indicador social alarmante de arrocho salarial e estagnação econômica. A promessa de renovação que vendem contrasta duramente com a dependência que demonstraram ter dos aportes financeiros da esquerda estadual para apresentar qualquer serviço relevante.
Por outro lado, o projeto representado por Marivalda oferece a continuidade e o aprofundamento de um canal direto com Brasília e Salvador. A proposta da esquerda baseia-se na tese de que Candeias não pode continuar sendo tratada como um enclave de grupos políticos familiares que se apropriam do trabalho do Estado para obter dividendos eleitorais a cada quatro anos.
O quadro de evasão dos moradores de Candeias é o sintoma mais doloroso dessa dinâmica. Famílias inteiras abandonam o município em busca de dignidade e oportunidades em outras regiões porque a economia local, estrangulada por anos de visão privatista e conservadora, não consegue gerar empregos de qualidade nem valorizar o servidor público. A estagnação do IDH é o selo de reprovação de um modelo político que já caducou.
A população local percebe que as praças iluminadas e as ruas asfaltadas que hoje utiliza não nasceram de passe de mágica ou de verbas exclusivas da prefeitura. Elas são o resultado da articulação política de quem teve portas abertas na governadoria e nos ministérios para solicitar socorro a uma cidade sistematicamente negligenciada por seus gestores municipais.
À medida que a campanha avança, o eleitorado de Candeias é confrontado com a verdade dos fatos contra a fantasia das redes sociais. A jogada de marketing dos Pitágoras tenta colar no atual grupo dominador a imagem de realizador, mas basta uma checagem rápida no Diário Oficial para constatar que a rubrica financeira de quase todas as grandes intervenções pertence ao Governo do Estado da Bahia.
O projeto de desenvolvimento para a Bahia, e em especial para o Recôncavo e a Região Metropolitana, exige integridade republicana. Não é sustentável que prefeituras atuem como parasitas orçamentários do Estado, recolhendo os louros de obras estaduais enquanto atacam publicamente os governantes que viabilizaram esses mesmos investimentos.
A candidatura de Marivalda surge, portanto, como a oportunidade histórica de alinhar, pela primeira vez desde a fundação do município, a gestão local aos governos estadual e federal de forma transparente e ideologicamente coerente. Trata-se de interromper o ciclo de seis décadas de hegemonia carlista e direitista que pouco contribuiu para a distribuição de renda e para a elevação dos padrões de vida locais.
A direita representada por ACM Neto, João Roma e o grupo de Pitágoras precisa responder ao povo candeense por que, durante os anos em que ostentaram poder e cargos de relevância, não estruturaram um projeto próprio de desenvolvimento industrial ou de valorização salarial para a cidade. O silêncio ou a transferência de culpa não servem mais como resposta para uma cidade que cansa de ver seus filhos partirem.
O julgamento das urnas se aproxima com a promessa de colocar um ponto final nas narrativas oportunistas. Candeias tem a oportunidade de comparar o passado de seis décadas de domínio da direita com o presente de realizações viabilizadas pela esquerda e, a partir daí, projetar um futuro onde a cidade seja protagonista, e não mera espectadora de disputas de grupos oligárquicos.
A Bahia precisa de um projeto industrial e social inclusivo, e Candeias é peça fundamental nesse engrenagem. A consolidação dos investimentos em educação, segurança com a viatura ABS e inteligência de monitoramento, moradia digna com o Minha Casa Minha Vida e infraestrutura esportiva e viária depende da manutenção de uma ponte sólida com o governo estaduamente eleito.
A hora da verdade chegou para o eleitor candeense. Resta decidir se o município continuará refém do marketing de obras alheias promovido pela direita de Pitágoras ou se finalmente dará o passo definitivo para integrar um projeto de esquerda que provou, com recursos e canteiros de obras abertos, o seu compromisso real com o povo de Candeias.
