08 de março sem comemoração para muitas trabalhadoras

 


O8 de Março de "Fachada" em Candeias: Servidoras Clamam por Dignidade e Salário Justo

Chega o dia 8 de março e a cidade de Candeias se enche de flores de plástico e discursos bonitos nas redes sociais. Mas, para quem vive o dia a dia dentro da prefeitura, a realidade é amarga e não tem nada de festiva.

É preciso encarar os números de frente: praticamente 70% do quadro efetivo do nosso município é formado por mulheres. São elas que carregam o piano da administração pública nas costas, mas o reconhecimento para no aperto de mão.

Infelizmente, o que vemos é uma falta de sensibilidade gritante. Tanto na gestão atual quanto nas passadas, a exemplo do governo Pitágoras, a política salarial para o servidor concursado parece um castigo em vez de um direito.

Como é que uma cidade rica como a nossa paga um salário base de apenas R$ 1.639,44 para quem é concursado? É um valor que beira o inacreditável diante do custo de vida que só faz subir em Candeias.

O pior é que esse valor vem "seco", sem benefícios que deem um fôlego no final do mês. As mulheres trabalhadoras da nossa prefeitura estão, literalmente, fora do radar de prioridades dos nossos governantes.

A maioria dessas servidoras é chefe de família. São mães que sustentam seus lares sozinhas e que, teoricamente, deveriam ser o motor da nossa economia local, mas que vivem no aperto constante.

O relato de uma funcionária efetiva corta o coração e mostra o tamanho do buraco. Ela contou que o filho pediu uma bicicleta de presente, um sonho simples de criança, mas o salário não permitiu a compra.

Para não ver o brilho nos olhos do filho se apagar, ela precisou recorrer ao favor de familiares. Imagine a dor de uma mãe que trabalha o mês inteiro e não tem condições de realizar um desejo básico do próprio filho.

Essa situação não é um caso isolado; é o retrato fiel de centenas de servidoras que se desdobram para sobreviver com o pouco que recebem. É uma luta diária contra a conta de luz, o aluguel e o prato de comida.

A prefeitura gasta rios de dinheiro em campanhas contra a violência doméstica, o que é importante, mas pratica uma "violência salarial" silenciosa dentro de seus próprios departamentos.

Deixar uma mãe de família sem condições de sustentar seus filhos com dignidade também é uma forma de agressão. É uma violência que acontece no contracheque, todos os meses, sem falta.

As mulheres são funcionárias, sim, mas acima de tudo são humanas. Elas têm sonhos, necessidades e o direito de colher o fruto do seu esforço de forma justa, sem precisar de esmolas.

Nesse 8 de março, o que essas trabalhadoras têm a comemorar? Para as professoras, auxiliares administrativas e agentes de portaria, a data virou sinônimo de um vazio no bolso e de uma revolta no peito.

São as mãos das copeiras, das cozinheiras, das recepcionistas e das telefonistas que fazem a engrenagem de Candeias girar. Sem elas, o serviço público simplesmente pararia em poucas horas.

É preciso que a gestão municipal mude o disco. Não adianta postar foto de "mulher guerreira" no Instagram se na hora de dar o reajuste e o benefício, a caneta do prefeito se recusa a escrever.

A valorização do servidor público precisa deixar de ser promessa de palanque para virar realidade na conta bancária. O povo de Candeias sabe quem trabalha de verdade e quem só faz marketing de fachada.

Que este 8 de março não seja apenas um dia de mensagens vazias, mas um marco de luta para que as mulheres da nossa prefeitura sejam tratadas com o respeito que o trabalho delas exige.


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