China vende títulos AMERICANOS

 


CHINA, DEDOLARIZAÇÃO E O FIM DE UMA ERA: UM NOVO EQUILÍBRIO NO SISTEMA FINANCEIRO GLOBAL


Por: Portal Nova Candeias 

Em um movimento que pode redefinir a arquitetura econômica global, a China iniciou uma mudança estratégica de alto impacto ao reduzir significativamente suas participações em títulos do Tesouro dos Estados Unidos o principal instrumento de dívida pública da maior economia do mundo. A decisão representa um marco nas relações financeiras entre as duas potências e sinaliza um processo mais amplo de dedolarização e rearranjo de poder econômico global.  

Durante décadas, o relacionamento entre Pequim e Washington foi moldado por uma profunda interdependência. A China exportava produtos ao mundo  especialmente para os Estados Unidos  e reinvestia os dólares recebidos comprando títulos americanos. Esse ciclo sustentou o déficit fiscal dos EUA, ajudou a manter os juros baixos e consolidou o dólar como moeda dominante globalmente.

No entanto, dados oficiais e análises de mercado revelam que a participação chinesa nesses títulos caiu de níveis superiores a US$ 1,3 trilhão na década passada para cerca de US$ 750 bilhões em 2025, atingindo o menor patamar em mais de 15 anos. Embora a China ainda esteja entre os principais credores estrangeiros dos EUA, a tendência de redução é clara e estratégica  e não um acidente de percurso.

Analistas explicam que essa mudança não representa simplesmente uma “venda em massa” de ativos. Em vez disso, faz parte de uma política deliberada de diversificação de reservas, com a China realocando fundos para outros ativos, incluindo ouro  considerado um porto seguro contra volatilidade cambial e riscos políticos e investimentos em mercados emergentes.

Ao mesmo tempo, Japão e Reino Unido cresceram em importância como detentores de títulos do Tesouro americano, diluindo a predominância chinesa nos registros oficiais. Essa dispersão de credores sinaliza um sistema financeiro global em transição e cada vez mais complexo.

O PROCESSO DE DEDOLARIZAÇÃO

A redução das reservas em títulos dos EUA está ligada a um movimento ainda mais amplo: a dedolarização. Países como China, Rússia e membros do bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) intensificam acordos bilaterais que permitem transações comerciais em moedas locais ou alternativas ao dólar, como o yuan chinês ou moedas regionais.

Essa tendência tem se manifestado de maneiras concretas. Alguns países do Oriente Médio, tradicionalmente exportadores de petróleo em dólar, passaram a realizar parte de suas transações em outras moedas incluindo yuan e até rublo. Em paralelo, acordos de *swap* de moeda entre bancos centrais de economias emergentes, como Brasil e China, permitem o comércio bilateral sem intermediário em dólar.

Adicionalmente, iniciativas de infraestrutura financeira alternativa sistemas de pagamentos digitais e plataformas de liquidação que contornam o sistema dominado pelos EUA  vêm sendo desenvolvidas, fortalecendo um ambiente multipolar no comércio global.

O NOVO TABULEIRO GEOPOLÍTICO

O panorama financeiro atual já não é mais unipolar. A hegemonia do dólar, embora continue relevante, vem sendo desafiada por uma série de fatores:

Reservas de ouro em alta: China e Rússia mantêm algumas das maiores reservas do mundo, reforçando a confiança em ativos fora do sistema financeiro americano.

Multipolaridade econômica: Acordos entre nações para usar moedas locais aumentam a independência financeira e reduzem a vulnerabilidade às sanções e pressões externas.

Tecnologia financeira alternativa: Sistemas de pagamento e contratos digitais fortalecem os mecanismos de comércio sem depender de instituições financeiras americanas.

Por outro lado, a economia americana enfrenta desafios internos importantes. Com uma dívida pública superior a US$ 36 trilhões, os Estados Unidos dependem não apenas de investidores estrangeiros, mas também da confiança contínua no dólar como reserva de valor global. A tendência de redução de participações estrangeiras, como a chinesa, pode pressionar custos de financiamento e introduzir volatilidade nos mercados.

UM NOVO EQUILÍBRIO

Economistas destacam que o processo de dedolarização será gradual e que o dólar ainda desempenha um papel central no sistema financeiro internacional. No entanto, a trajetória de longo prazo aponta para uma maior diversidade de moedas em transações internacionais e um sistema econômico mais equilibrado entre diferentes centros de poder.

Em 2026, o mundo caminha para um novo equilíbrio: o dólar continua relevante, mas já não detém exclusividade; a China e outros atores emergentes consolidam alternativas; e o sistema financeiro global se torna cada vez mais interdependente, competitivo e multipolar.


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