Neoliberalismo no Brasil: quem realmente se beneficia
Desde os anos 1980, o Brasil vem sendo palco de uma mudança profunda no modelo econômico, com a crescente adoção do neoliberalismo — um sistema que prioriza a abertura de mercados, a privatização de empresas públicas e a redução do papel do Estado na economia. Embora seus defensores aleguem que esse modelo estimula o crescimento e a eficiência, na prática, ele tem beneficiado um pequeno grupo da elite econômica e política, enquanto transfere o custo para a maioria da população, especialmente os trabalhadores.
O neoliberalismo no Brasil não surgiu por acaso. Ele foi importado como uma espécie de “receita” recomendada — ou melhor, imposta — por organismos internacionais e interesses estrangeiros, em especial dos Estados Unidos. A partir da década de 80, a política econômica brasileira passou a seguir de perto o chamado Consenso de Washington, um pacote de medidas que atendia mais aos interesses do capital internacional do que às necessidades do povo brasileiro.
Nesse processo, as empresas estatais, construídas com décadas de investimento público, começaram a ser vistas não como patrimônio nacional, mas como oportunidades de negócio para investidores privados, muitos deles estrangeiros. Privatizações como as da Vale e de setores estratégicos da energia e das telecomunicações são exemplos claros de como a lógica neoliberal transferiu riquezas coletivas para mãos privadas.
Os maiores beneficiados desse modelo são grandes empresários, bancos, multinacionais e políticos que operam em sintonia com essas forças econômicas. Já a classe trabalhadora paga a conta: redução de direitos trabalhistas, precarização das relações de trabalho, aumento da desigualdade social e cortes nos serviços públicos essenciais.
A partir dos anos 2010, a política neoliberal ganhou novo fôlego, impulsionada não apenas pela pressão externa, mas também por um projeto interno de reconfiguração do Estado. Nesse contexto, a Operação Lava Jato desempenhou um papel estratégico: apresentada como um movimento de combate à corrupção, ela, na prática, desmontou setores nacionais estratégicos, especialmente a indústria da construção civil e a Petrobras, abrindo espaço para empresas estrangeiras.
A Lava Jato, associada ao clima político criado por uma narrativa seletiva e amplificada pela grande mídia, ajudou a pavimentar o caminho para o impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Muitos juristas e analistas apontam esse episódio como um golpe parlamentar-jurídico-midiático, que não só destituiu uma presidente eleita, mas também recolocou o Brasil em um trilho mais alinhado aos interesses do capital financeiro internacional.
Não se pode ignorar o papel da TV Globo e de outros grandes veículos de comunicação nesse processo. Com poder de alcance e influência incomparáveis, esses meios controlaram a pauta, selecionaram informações e reforçaram discursos que criminalizaram determinadas forças políticas enquanto blindavam outras. O resultado foi uma opinião pública moldada para apoiar medidas que, no fundo, iam contra seus próprios interesses.
Desde então, as políticas neoliberais se aprofundaram: congelamento de investimentos sociais por 20 anos, reformas trabalhistas e previdenciárias que retiraram direitos e privatizações aceleradas. O argumento sempre foi o mesmo — de que essas medidas eram necessárias para “modernizar” o Brasil. Porém, o efeito real foi o aumento da concentração de renda e o enfraquecimento da soberania nacional.
A população trabalhadora, que sustenta o país com seus impostos e sua força de trabalho, foi a mais afetada. Os empregos formais encolheram, os salários perderam poder de compra e os serviços públicos foram sucateados, enquanto o capital especulativo e as grandes corporações seguiram batendo recordes de lucro.
O neoliberalismo não se limita a decisões econômicas — ele molda a própria política. Ao reduzir o papel do Estado, transfere poder para o mercado e enfraquece a capacidade do país de decidir seus rumos de forma autônoma. O resultado é uma dependência crônica de capitais estrangeiros e uma submissão aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e de outras potências.
A conspiração silenciosa que se iniciou nos anos 80 ganhou forma concreta no golpe contra Dilma e se consolidou com a guinada neoliberal pós-2016. A grande mídia, o sistema político e os interesses internacionais se entrelaçaram para criar um cenário em que a democracia foi enfraquecida e a soberania comprometida.
Hoje, entender esse processo é fundamental para que o Brasil possa reconstruir seu projeto nacional. A resistência ao neoliberalismo não é apenas uma pauta econômica, mas uma luta pela independência política, pela preservação das riquezas nacionais e pela dignidade dos trabalhadores.
Se não houver reação organizada, o país seguirá no caminho da entrega do seu patrimônio, da precarização da vida da maioria e da manutenção de uma elite cada vez mais poderosa. A história já mostrou que a conta do neoliberalismo é alta — e quem paga, sempre, é o povo.
