A próxima eleição para deputados em Candeias tende a entrar para a história como um marco na definição ideológica do eleitorado, colocando de forma clara o embate entre direita e esquerda no município. De um lado, o grupo liderado por Pitágoras (PP), identificado com a direita tradicional; do outro, Marivalda da Silva (PT), alinhada ao campo progressista e à esquerda brasileira. Mais do que nomes, o que está em jogo é um modelo de gestão e de projeto político para a cidade.
OS Pitágoras representa a continuidade de uma hegemonia da direita que governa Candeias há décadas, defendendo a manutenção de um grupo político no poder por mais de uma década. Esse ciclo é marcado por críticas recorrentes, como arrocho salarial, baixo avanço nos indicadores sociais e um IDH municipal ainda distante do potencial econômico da cidade, que abriga um dos maiores polos industriais da Bahia.
Historicamente, Candeias sempre esteve sob administrações de viés conservador desde sua fundação como município. EnquantoACM o carlismo foi derrotado no âmbito estadual, com a ascensão de governos progressistas na Bahia, sua influência nunca deixou de existir na esfera municipal, mantendo forte presença política, agora representada por lideranças ligadas a ACM Neto (UNIÃO BRASIL) e seus aliados.
No campo da esquerda, a realidade sempre foi de resistência. O Partido dos Trabalhadores (PT) nunca governou o município, jamais teve indicação direta ao Executivo local e, ao longo da história, conseguiu eleger apenas três vereadores para a Câmara Municipal, além de ocupar a vice-prefeitura em duas ocasiões, sempre como força secundária no poder.
Esse cenário contrasta fortemente com o comportamento do eleitorado nas eleições estaduais e nacionais. Candeias sempre deu votação expressiva ao presidente Lula (PT), assim como aos governadores Jaques Wagner (PT), Rui Costa (PT) e Jerônimo Rodrigues (PT), demonstrando que, apesar de governos municipais conservadores, o sentimento popular em pleitos maiores tende a caminhar para a esquerda.
É nesse paradoxo que surge a grande pergunta: Candeias é, afinal, de direita ou de esquerda? Ou estaria o município preso a uma estrutura política local que não reflete, de fato, a escolha ideológica da maioria da população? A eleição atual pode ser o divisor de águas para responder essa questão histórica.
Marivalda da Silva (PT) aparece como uma candidatura politicamente exposta, sem receio de assumir seus aliados e suas posições. Ela se apresenta publicamente ligada ao presidente Lula (PT), ao governador Jerônimo (PT), além de senadores e deputados do (PT), apostando na coerência ideológica e no alinhamento com os governos estadual e federal como trunfos para o desenvolvimento local.
Já Pitágoras adota uma postura mais cautelosa ou estratégica quanto à exposição de seus aliados. Nomes como ACM Neto (União Brasil), João Leão (PP) e figuras da direita nacional, como Flávio Bolsonaro (PL), raramente aparecem de forma explícita em suas redes ou discursos, apesar do claro alinhamento ideológico. Até o momento, setores da direita local também não declararam apoio formal, mantendo uma atuação discreta.
A estratégia do grupo conservador segue baseada em caminhadas, carreatas, outdoors e marketing visual, modelo que funcionou em eleições passadas. No entanto, há sinais de que o eleitor de Candeias está mais atento, exigindo propostas concretas, planejamento urbano, desenvolvimento econômico, valorização do servidor público e melhoria real da qualidade de vida.
Diante desse cenário, a eleição 2026 se desenha como uma disputa que vai além dos nomes e das cores partidárias: trata-se de decidir se Candeias continuará sob a lógica da direita tradicional, que governa o município há décadas, ou se a cidade finalmente dará espaço a um novo projeto político da esquerda, alinhado ao campo progressista e às escolhas que o eleitor já faz nas urnas quando o assunto é estado e país. O jogo está aberto e, desta vez, o eleitor parece disposto a virar a chave.
